O sonho do desenvolvimento tecnológico comprometido com a pesquisa e a competitividade começa a virar realidade em abril. Até 2014, a implantação do Parque Tecnológico Cidade Digital vai gerar 80 mil postos de trabalho diretos e indiretos, além de elevar o faturamento anual do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação de R$ 2,5 bilhões para R$ 5 bilhões. O relatório com as metas para criação do parque foi apresentado ao governador José Roberto Arruda nesta segunda-feira (28). Em 60 dias, será criada a unidade gestora, sem fins lucrativos, que vai selecionar as empresas interessadas em investir na área. As obras de infra-estrutura terão início em abril.
Durante dois meses, o grupo gestor, formado por representantes do GDF, da Universidade de Brasília, Universidade Católica de Brasília, Federação das Indústrias de Brasília (Fibra) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), visitou parques tecnológicos de Taiwan, Japão e Coréia. A comissão elaborou o projeto e participou da negociação para conseguir a licença ambiental da área onde a Cidade Digital será construída. O terreno de 123 hectares dentro do Parque Nacional é de propriedade da Terracap e conta com aval do Ibama para ocupação.
Entre as dez metas definidas pelo grupo estão a captação de R$ 1 bilhão em investimentos no parque até 2014, a atração de cinco laboratórios de pesquisa de classe internacional nos próximos sete anos e a vinda de 10 grandes empresas até 2010. O documento aponta ainda a incubação de 100 empresas inovadoras de Tecnologia da Informação e Comunicação e a exportação de R$ 100 milhões por ano até 2014. A qualificação e atração de 15 mil profissionais, entre doutores, mestres, especialistas e técnicos também está entre as prioridades traçadas para o Parque Tecnológico.
Aproximadamente 1800 empresas já demonstraram interesse em investir no setor. Para isso, porém, precisarão atender aos critérios que serão estipulados pela unidade gestora, também composta pelo governo, empresários e acadêmicos. “A característica fundamental exigida para a empresa é que invista em ciência e tecnologia, que trabalhe com tecnologia e informação, que interaja com a universidade e o setor produtivo”, esclareceu o governador. “Vimos vários exemplos bem sucedidos no mundo. O segredo é juntar a inteligência da universidade, o dinheiro dos empresários e a capacidade do governo de interagir”, definiu.
Conhecimento na prática
De acordo com o vice-reitor da UnB, Edgar Mamiya, a participação das universidades no processo de implantação da Cidade Digital é fundamental para levar o conhecimento para dentro das empresas. “Esta é a missão da universidade. O conhecimento não pode ficar restrito ao meio acadêmico”, salientou. “A integração da instituição com o governo no grupo gestor representa um marco histórico na relação da UnB com o Poder Executivo”, completou Mamiya.
Para atrair investimentos de indústrias e laboratórios estrangeiros, o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Paulo Octávio, sugeriu a criação de um fundo sob a administração da Fibra. “Assim, poderemos construir instalações para abrigar empresas internacionais que não se interessam em construir. Querem logo o espaço pronto para produzir”, analisou o secretário.
O orçamento do GDF deste ano destina R$ 30 milhões ao Parque Tecnológico Cidade Digital. As obras de cercamento e calçamento já foram licitadas. A urbanização e infra-estrutura será iniciada em abril. O Banco do Brasil, que apresentou projeto em parceria com a Caixa Econômica Federal, pode iniciar a construção de sua unidade no local. O secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas, espera que outras empresas sejam instaladas na área em 2009.
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